EDUCAÇÃO - 1º BIMESTRE
Veja 8 pontos de destaque na nova base curricular do ensino fundamental
Com atraso e sem tratar do ensino médio, Base
Nacional Comum Curricular (BNCC) foi apresentada nesta quinta. Documento estava
previsto para junho de 2016.
A terceira e última versão da Base Nacional Comum
Curricular (BNCC) para o ensino infantil e fundamental foi apresentada nesta
quinta-feira (6) pelo Ministério da Educação (MEC). O texto não aborda o ensino
médio. O documento foi finalizado com atraso, já que estava previsto para junho
de 2016.
A BNCC é considerada fundamental para reduzir desigualdades na educação no Brasil. Países desenvolvidos já organizam o ensino por meio de bases nacionais. O documento define a linhas gerais do que os alunos das 190 mil escolas do país devem aprender a cada ano.
A base ainda
precisa ser aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e depois
homologada pelo ministro da Educação. Mesmo após essas etapas, ela só terá
efeito na sala de aula quando estados e municípios reelaborarem os seus
currículos: serão eles que detalharão como será abordado cada uma das metas ou
cada um dos eixos da BNCC em sala de aula.
Veja os
destaques da BNCC do ensino infantil e fundamental
1.
Ensino religioso foi excluído da terceira versão;
MEC alega respeitar lei que determina que tema seja optativo e que é
competência dos sistemas de ensino estadual e municipal definir regulamentação.
2.
Conteúdo de história passa a ser organizado segundo
a cronologia dos fatos
3.
Língua inglesa será o idioma a ser ensinado
obrigatoriamente; versão anterior da BNCC deixava escolha da língua a cargo das
redes de ensino.
4.
Conceito de gênero não é trabalhado no conteúdo;
MEC diz que texto defende "respeito à pluralidade"
5.
Texto aponta 10 competências que os alunos devem
desenvolver ao longo desta fase da educação (veja lista abaixo).
Uma delas é "utilizar tecnologias digitais de comunicação e informação de
forma crítica, significativa, reflexiva e ética".
6.
Toda criança deve estar plenamente alfabetizada até
o fim do segundo ano; na versão anterior, o prazo era até o terceiro ano.
7.
Educação infantil ganha parâmetros de quais são os
"direitos de aprendizagem e desenvolvimento" para bebês e crianças
com menos de seis anos.
8.
Conteúdo do ensino médio não é alvo do documento;
ele será abordado em texto específico aguardado para o segundo semestre.
Ensino
religioso
A versão final da
BNCC do ensino infantil e médio exclui "ensino religioso" da lista de
áreas. Antes, ele estava ao lado de linguagens, matemática, ciências humanas e
ciências da natureza. Na versão anterior, o texto afirmava que ensino religioso
era área cujo conteúdo tinha "oferta obrigatória", porém com
"matrícula facultativa".
De acordo com o MEC, a área de ensino foi
retirada para atender o que está disposto na Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional (LDB). De acordo com a pasta, a LDB aponta que o ensino
religioso seja oferecido aos alunos do ensino fundamental nas escolas públicas
em caráter optativo.
Ainda segundo o MEC, cabe aos sistemas de
ensino a sua regulamentação e definição de conteúdos. "Sendo esse
tratamento de competência dos Estados e Municípios (...), não cabe à União
estabelecer base comum para a área, sob pena de interferir indevidamente em
assuntos da alçada de outras esferas de governo da Federação", aponta a
versão final da BNCC.
Língua inglesa
O inglês passa a ser o idioma obrigatório para ser
ensinado nas salas de aula a partir do 6º ano do ensino fundamental. Na versão
anterior da BNCC, os especialistas apontavam que era "importante que cada
comunidade escolar (pudesse) escolher as línguas estrangeiras a serem ministradas,
levando em conta as realidades locais específicas, a exemplo dos contatos com
outras línguas em regiões de fronteira ou migração, em comunidades com história
de migração, em comunidades indígenas, entre outras".
A mudança segue a mesma linha defendida pela atual
gestão do MEC, que fez a mesma exclusão durante a reforma do ensino médio.
Alfabetização
A segunda versão da BNCC defendia que os alunos
deveriam ser alfabetizados até o terceiro ano da educação básica. O processo,
de acordo com secretária-executiva do MEC, Maria Helena Guimarães, inclui tanto
a área de português quanto de matemática. Na proposta final, a alfabetização
deverá ser concluída no segundo ano. Alguns especialistas chegaram a alertar
para o risco de que o capítulo dessa etapa de ensino acabe por favorecer a
escolarização precoce.
"A principal mudança para mim é em relação à
alfabetização. A versão 2 trabalhou o tempo todo com a garantia plena da
alfabetização até o final do terceiro ano. Nós baixamos para até o final do
segundo ano. Essa é a principal mudança", disse Maria Helena.
História cronológica
Alvo de polêmicas nas primeiras duas versões, os
principais questionamentos nesta disciplina tinham já sido resolvidos com a
reorganização feita na segunda versão da base.
Além desses pontos, o MEC anunciou ter feito uma
reorganização na forma como o conteúdo será apresentado ao longo dos nove anos
do ensino fundamental. "Em história, você tem uma mudança importante. A
parte de história obedece a cronologia dos fatos, coisa que não estava presente",
afirmou Maria Helena.
Questões de gênero
A secretária executiva do MEC, Maria Helena Castro,
afirmou que o conceito de gênero não é trabalhado na versão final da BNCC para
o ensino fundamental e infantil.
"Não trabalhamos com ele (conceito de gênero).
Nós trabalhamos com o respeito à pluralidade, inclusive do ponto de vista do
gênero, de raça, de sexo, tudo. (...) Inclusive fomos até procurados aqui (no
MEC) por alguns que defendiam o uso de gênero e outros que eram contra. Nós não
queremos nem ser contra nem a favor. Somos a favor da pluralidade, da abertura,
da transparência e da lei", disse Maria Helena.
Como eixo, a BNCC defende que o aluno desenvolva a
competência de se relacionar "sem preconceitos de origem, etnia, gênero,
orientação sexual, idade, habilidade/necessidade, convicção religiosa ou de
qualquer outra natureza".
(Correção: o termo “orientação sexual” apareceu na
versão embargada enviada à imprensa na quarta-feira (5), mas foi suprimido no
documento oficial divulgada pelo Ministério da Educação.)
10 competências
A base determina que, ao longo da educação básica,
os estudantes devem desenvolver dez competências gerais, tanto cognitivas
quanto socioemocionais, que incluem o exercício da curiosidade intelectual, o
uso das tecnologias digitais de comunicação e a valorização da diversidade dos
indivíduos.
Valorizar e utilizar os conhecimentos
historicamente construídos sobre o mundo físico, social e cultural para
entender e explicar a realidade (fatos, informações, fenômenos e processos
linguísticos, culturais, sociais, econômicos, científicos, tecnológicos e
naturais), colaborando para a construção de uma sociedade solidária.
·
Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à
abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise
crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e
testar hipóteses, formular e resolver problemas e inventar soluções com base
nos conhecimentos das diferentes áreas.
·
Desenvolver o senso estético para reconhecer,
valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais
às mundiais, e também para participar de práticas diversificadas da produção
artístico-cultural.
·
Utilizar conhecimentos das linguagens verbal (oral
e escrita) e/ ou verbo-visual (como Libras), corporal, multimodal, artística,
matemática, científica, tecnológica e digital para expressar-se e partilhar
informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e, com
eles, produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
·
Utilizar tecnologias digitais de comunicação e
informação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas
práticas do cotidiano (incluindo as escolares) ao se comunicar, acessar e
disseminar informações, produzir conhecimentos e resolver problemas.
·
Valorizar a diversidade de saberes e vivências
culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem
entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas
ao seu projeto de vida pessoal, profissional e social, com liberdade,
autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
·
Argumentar com base em fatos, dados e informações
confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e
decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos e a consciência
socioambiental em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em
relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
·
Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde
física e emocional, reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica
e capacidade para lidar com elas e com a pressão do grupo.
·
Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de
conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao
outro, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos
sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem
preconceitos de origem, etnia, gênero, orientação sexual, idade,
habilidade/necessidade, convicção religiosa ou de qualquer outra natureza,
reconhecendo-se como parte de uma coletividade com a qual deve se comprometer.
·
Agir pessoal e coletivamente com autonomia,
responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões,
com base nos conhecimentos construídos na escola, segundo princípios éticos
democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.
“A Base tem o objetivo de entender que o país é
diverso e que escola deve estar aberta para atender todos, que seja inclusiva e
que aceite o diverso”, disse a secretária executiva do MEC, Maria Helena
Guimarães de Castro.
Bebês e crianças pequenas
A BNCC também passou a adotar objetivos específicos
para três categorias da educação infantil: crianças de zero a 1 ano e 6 meses;
1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses; 4 anos a 5 anos e 11 meses.
A educação infantil, aliás, é a etapa que tem a
estrutura defendida como mais inovadora pelos redatores da versão final da
BNCC. Ela não obedece a divisões mais tradicionais por áreas de conhecimento e
componentes curriculares. Faz o cruzamento das áreas com os chamados “campos de
experiência”, que incorporam dimensões como o “brincar” e “explorar”,
consideradas indispensáveis à formação das crianças.
Em reunião técnica para discutir a base com a
imprensa, Maria Helena exemplificou competências específicas das áreas de
conhecimento e de objetivos de aprendizagem do ensino fundamental. Em
matemática, por exemplo, espera-se que o aluno possa estabelecer relações entre
conceitos dos diferentes campos da ciência (aritmética, álgebra, geometria,
estatística e probabilidade) durante todos os anos do ensino fundamental.
Ensino médio
A Base Nacional Comum Curricular apresentada pelo
MEC nesta quinta trata apenas dos ensinos infantil e fundamental. A base do
ensino médio será revisada por causa da aprovação do projeto de reforma dessa
etapa da educação básica sancionada pelo Congresso em fevereiro deste ano. A
previsão é que ela seja encaminhada ao Conselho Nacional de Educação no segundo
semestre.
Enquanto não houver mudanças na base do ensino
médio, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não será alterado.
"O Enem vai mudar na medida em que a base do
ensino médio for aprovada. O Enem deve seguir a nova base no futuro, não sei se
é 2019 ou se é 2020. Vai depender da nova base", disse Maria Helena.
A secretaria executiva do MEC lembrou que as
mudanças de conteúdo do Enem, conforme aprovado na lei da reforma, só devem
ocorrer dois anos após a aprovação da BNCC do ensino médio.
Fonte: G1
Comentário: Eu acho que
algumas mudanças foram boas, e outras nem tanto, por exemplo: concordo com a
retirada do ensino religioso, pois acho que é um assunto que muitas crianças
não gostam, e que causa muita confusão e não é relevante. Mas não sou a favor
da mudança que houve na área de história, acho que desvalorizaram o trabalho do
professor construir uma aula do jeito deles, acho que perderam sua liberdade.

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